
Veio sem querer. Do nada deu vontade de chorar, eu temi. Temi a mim mesma e toda aquela solidão que me corroia. Eu senti um frio na espinha, minhas mãos ficaram quentes e tudo o que eu queria era que passasse. Que tudo fosse deixado de lado. Não é pra pensar em infelicidade nessa hora, mas não dá. Não dá.
Não dá pra ignorar a solidão, há anos que eu não me escuto. E hoje, quando eu parei, vi que nada me restava a não ser montes de pedaços de mim. Não me pergunte quem sou. Por favor. Por favor. Por favor.
Sinto que vou estourar, explodir como um balão, porque estou sozinha. Sou eu e eu mesma e eu não gosto de mim. Não gosto do que me tornei ou de como as coisas andam aqui por dentro. Eu juro que eu quero chorar, mas não sai uma lágrima. Nenhuma.
A solidão é cruel, necessária, mas sua crueldade é maior que a sua necessidade.
Eu me odeio. A solidão que disse.
O que eu faço com os pedaços de mim?
- e a Colombina chora, em pleno Carnaval. Sem Pierrot ou Arlequim. Chegou a sua vez.

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