
“Recomece. Renovar, re-existir. Crie, recrie-se, transforme o seu mundo em qualquer outro mundo. Coloque tudo no lugar, retire tudo do lugar. Arrisque, mude, exagere, dance, reviva. Você pode, nunca é tarde, vai lá, vai lá! Deixa esse passado pra trás, corra pelo seu futuro, vai! Adiante-se, você é capaz.
Re- recomece.
Ou não.
Deixe tudo como está, porque está bom, talvez não seja exatamente o que você quer, mas é assim, temporariamente imutável, seguro e é como vai ser. Assim: perfeitamente alinhado, desse jeito está e desse jeito vai ficar. Fique, deixe. Deixe tudo como está. É certo, já está assim, pra quê mexer?”
E agora?
Estava lá ouvindo as suas vozes interiores – e nossa, como elas falam! Repetiam alternadamente as duas opções que todo ser humano têm em qualquer época de suas vidas: manter ou mudar. Não, ninguém poderia escolher, opinar, mandar ou desmandar, porque a vida era dela e dela ela deveria cuidar. É responsabilidade que não se pode desviar de si, é seu, nasceu contigo, é dono do seu caminho e suas escolhas podem mudar toda uma jornada. Com um passo errado muda-se uma história, com um passo certo se constrói uma história. A questão é: como escolher esses passos? Não soube responder.
Batia o indicador na mesa impacientemente, suas vozes exigiam uma resposta que não tinha no momento e discutiam entre si. Era quase uma competição de qual voz iria escutar. Vaidade de vozes? Que loucura... Estaria enlouquecendo? Talvez, mas o talvez era tão incerto para uma certeza que precisava ter. Confusão de pensamentos, estalos de idéias, a incerteza da loucura e o indicador batendo na mesa. Parou, respirou fundo, saiu do mundo, caminhou até a janela, o vento.
Fechou os olhos e a sua respiração estava mais tranqüila com aquele carinho de Deus no rosto, os cabelos se permitindo embaraçar sendo levados pelo mais abstrato das sensações. O sentir e não ver. O acalanto da alma, pois tudo o que vem, vem no momento certo. Abriu os olhos e dali mesmo descobriu o mistério. A resposta estava exatamente nesse delicado gesto.
Abra os olhos e logo verá que só há três opções: o chão, o horizonte, o céu.
Onde desejas chegar?

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